19 de fev. de 2011

Vida e Morte

Resenha crítica sobre o poema CREIO de Fernando Pessoa ( Heterônimo Alberto Caeiro )

No poema o autor assume o inevitável: A existência da morte. Mas, ao contrário de muitos, ele ignora o verdadeiro "poder" que tem a morte. Desse poder, ele tira toda a poesia e a põe como algo concreto, factual e seco, isso é perceptível. E onde ele mostra tal ação indiferente? Dentro de um poema. Isso torna o poema uma espécie de "metalinguagem lúdica", ou seja, o poema falando e desconsiderando seu valor dentro da morte. É interessante refletir sobre o que realmente significa morrer e o que é de fato viver. Viver necessariamente é estar com todos os seus sentidos em perfeito funcionamento? E o que é morrer? Será apenas ausência desses mesmos sentidos? Será que estamos mesmo vivendo? Ou tudo não passa de um duradouro purgatório com ruas, céu, nuvens e problemas?


É perceptível no poema ainda, que o valor dado a morte é inexplicável. Quando se tenta classificá-la e dar significado a ela, percebe-se que não existe algo definível. Sendo assim, a dita “poesia da morte” segue um ideia kantiniana de subjetividade. Afinal ela é trágica, inspiradora e poética, tudo depende da visão estética de cada um. Na visão de Alberto, ela apenas é ignorada. Tornando a dúvida do que realmente representa a morte, ele diz que ela é uma ideia ilegível e incompleta. Mas, afinal, o que ela realmente representa? Não se sabe, portanto, incompleta. Qual seu valor? Trágico, poético ou lúdico? Impossível decifrar, portanto, ilegível. Na obra é mostrada uma porção de dualidade do heterônimo Alberto Caeiro. Tendo em vista que, segundo seu pensamento, tudo pode ser mais bem explicado pela poesia e somente ela poderia dar conta da realidade, ele se mostra relapso ao sentimento intrínseco a morte.


É interessante perceber que, partindo do pensamento de Alberto Caeiro, todos podem ter uma visão mais positiva quando se abstrai diante dos já saturados, secos e chatos paradigmas da mente humana. É fato que, não podemos nos tornar relapsos frente ao real sentimento que existe nos acontecimentos da vida, mas podemos encarar e tratar de uma forma mais branda e isso apenas a poesia consegue realizar. Sendo assim, declaro-me partidário do Alberto Caeiro e convido para reflexão: Estamos mesmo vivos?
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