23 de jun. de 2011

Aqui estou eu


Inspirado pela obra "Cidade Invisíveis" de Ítalo Calvino.


Aqui estou eu
Na cidade quieta e clara com folhas soltas pelo seu rosto
Ruas vazias
O Silêncio impera
Ainda ouço um ruído dos últimos ferros retorcidos da antiga loja de flores
No chão estão as marcas dos últimos passos das últimas conversas dos últimos amores
Nas paredes os últimos dizeres de pra sempre, de saudade, de te amo.

Aqui estou eu
vendo que as árvores estão paradas mesmo com o vento
Elas se recusam a dançar a dança da melancolia solitária
E ainda assim estão as águas
Sujas com o sangue da saudade a jorrar das fontes
Águas que antes serviam de espelho
Hoje são apenas meros objetos sem forma

Aqui estou eu
A chuva cai e mistura-se às lágrimas que já estavam duras paradas no meu rosto
Notícias de você não tenho mais. Nada aqui funciona. E o jornaleiro não está mais ali.
As ruas bem projetadas não me levam a lugar algum
Dói existir aqui
Tudo está tão longe
Perto de mim mas longe do quero pra mim

Aqui estou eu
Parado, deitado, olhando para o teto do meu quarto de dormir
Minhas metáforas já não são mais suficientes
Minha imaginação não agüenta mais
Meu olhar vidrado para o alto percebe os detalhes lindos do lustre
Que como último suspiro comparo aos teus olhos
Continuo estático

Cidade cruel, vazia, inflamada de sentimentos
Cidade clara, escura, calada e gritante
Cidade suspeita, saudosa e nostálgica
Cidade antes vibrante, mas agora branda
Cidade assustadoramente sensível
Seu nome não é mais "nós dois"
E sim "apenas eu"

Mas nunca esqueça
Aqui estou eu.
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