31 de ago. de 2011

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Andando pela rua vejo um casal de mãos dadas andando felizes pela manhã como se fosse a primeira vez que estavam juntos. Como se fossem crianças dançando ciranda sorrindo,sorrindo alto. Depois disso vi um abraço. Vi mais abraços. Do outro lado da rua o esposo tira o carro da garagem com sua mulher vindo até ele apenas para dar um beijo de um ótimo dia. Ao chegar aqui , vi um choro descontrolado movido pela decepção grandiosa de um hábil recreador. Que brincou com um coração como a mais inocente das criaturas. Mas é certo que inocência não havia ali. E ela ainda chora. Aos soluços e se declarando inútil, enganada, passada para trás e com vergonha de si mesma. Ainda chora ali com tanta frieza e falta de sensibilidade com a qual foi tratada.

Eu, parado, ouvinte e candidato a entendedor, pereço frente a tanto mal. O telefone toca e ao atender, ouço uma voz dizendo o que devo fazer. O que houve comigo? Não sei. Lá fora o fim de tarde inicia o retorno de alguns ao lar. É a hora do homem estar ancioso em voltar aos braços da amada. É a hora em que aquele casal liga um para o outro e pergunta apenas como está. Apenas para ouvir a voz, apenas para viver aquilo mais uma vez. E antes dos dois irem para as suas aulas prometem-se mais uma ligação ao dormir e declaram seu "te amo" ao telefone parados nas ruas com mochilas nas costas. Um sorriso aparece sem querer naqueles rostos. Aquela antes no choro, agora vive o silêncio do final de tarde em frente ao mar. Com ela apenas o toque do vento já frio deixando mais rígidas as lágrimas. Sua mente ferve, seu coração vai acalmando aos poucos. Uma lembrança me veio. O que está havendo comigo? Não sei.

A noite que chega com reencontros e beijos de saudade, também trás o convite a parar. Parar e pensar. Parar e não mais falar. Parar e pensar no querer. Traz saudade, traz vontade, traz a ânsia por uma luz ao céu negro.O amor do casal se transforma em puro contato, pele, intimidade e eles, apenas eles.O jovem casal se rende as declarações de amor depois de um dia intenso de trabalho, estudo e outros compromissos. Cada uma na cama de sua casa se fala ao telefone olhando o teto e ecoando sorrisos altos mas se deixam falar baixinho quando ao falar de amor. É falando baixinho que eles se tratam como "meu amor",meu anjo e outros nomes que se "batizaram". Aquela que antes era choro, agora dorme na esperança que tudo isso passe ao despertar de um novo dia. Mesmo sabendo que nesse novo dia ainda estará tudo no mesmo lugar. Eu? Apenas espero, me calo e me torno incerto. Mas confio. O que haverá comigo? Não sei. Sinceramente não sei.
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