
Olho o mar. Finalmente olho o mar. Descobri que a tristeza pode nos mostrar o que realmente nos faz feliz. Pode nos mostrar que tudo não passava de um delírio irracional da cabeça movida por um coração ansioso por acolher. Descobri ao mar.Descobri que as aparentes grandes ondas não eram tão grandes assim.Vi quando elas chegaram aos meus pés molhando apenas dois dedos deles.A espuma branca ficou no pé e não passou muitos segundos. Vi que as pedras estão ali por uma função. Mostrar para a água que elas existem, mas que são perfeitamente contornáveis.Por um momento, pensei que aqueles dois pássaros brancos voando, queriam me dizer apenas que eu estava no caminho certo em minhas interpretações. No mar, no coração e na minha vida.
Certo dia me tornei pedra. Pedra no caminho de um mar lindo, brando e puro.Fui duro, insensato,negro e nem um pouco sensível. Afinal, fui pedra. Mas não era, mas o mar que queria me contornar, esse desejo era meu. Contorne-me. E estou sendo contornado. As lágrimas que em certo momento chegaram a cair, mesmo sendo eu pedra, pararam.
A linda e cristalina água passou.Lembro com carinho de quando éramos eu e a água.Lindos momentos em que nossa união fazia encantar a quem nos visse. Tudo ficou no passado, mas ainda lembranças sempre presentes.
Agora não sou mais pedra, resolvi ser pássaro. Voando, resolvi não tocar mais o mar e me recolher a montanha distante. Olhando de longe, percebo a beleza que é ser mar e a dureza que é ser pedra.Hoje livre sou.Feliz sou.Pássaro sou. Liberto das amarras que um dia a tristeza me colocou e que hoje não vejo mais. Agradeço às lágrimas por terem me tornado, em uma perfeita metamorfose, de pedra a pássaro. Solto, livre , feliz e daqui da montanha, finalmente, em paz.