
Eu só quero ter a liberdade de dar a risada que quero, um grito que quero, cantar a música que eu quero, no tom que eu quiser e na hora que me der vontade. Eu só quero que ao meu redor estejam os meus bons e velhos. Ou também os novos, mas que sejam bons. Quero ter a possibilidade de viajar na estrada que eu quiser. E se eu quiser ir a pé, eu vou e ponto final.
Eu quero que minha alegria dos doze anos continue impregnada nesse adulto que está chegando aqui no meu eu. Quero que minha loucura continue vencendo e chatice de ser normal. Quero a via dos sorrisos. Começando pelas comédias que sou sozinho e continuando no meu prazer de fazer sorrir tudo ao meu redor. Seja o amigo ou o cachorro do vizinho que me olha pedindo para ser feliz. Quero ver o mar e sobrevoar sobre sua magia como sempre fiz. Quero que a minha pureza não seja mais justificada por uma segunda, terceira ou traiçoeira intenção que eu tenha. Por ser puro por querer a pureza de volta. Posso ser puro para jogar um perfume no odor dos sentimentos tão presentes ao redor. E só isso.
Quero que a criança me veja como uma. E farei o possível para que isso aconteça. Até abdicar dos meus vinte e poucos anos. Quero a ansiedade pela volta, o chorar pela música, o sentir pela foto e voar pelo beijo. Quero ser eu e apenas eu. Um malabarista que tem vocação para domar um leão, mas que na verdade quer apenas a pureza do palhaço.