Por entre os coqueiros da praia me peguei procurando a linha do horizonte. As pegadas na areia começam a me nortear até a beira-mar. Fico ali parado, sentado, assustado e aliviado. O sol me vem e me cumprimenta com um "olá" revigorante.Toca no meu rosto sua amiga brisa. Leve serena, ela não se dá por satisfeita e ainda me faz fechar meus olhos. É aí quando percebo que há algo novo, algo diferente, algo bom.Noto que a brisa me levanta da areia e me faz voar pelo céu. Ao olhar para baixo percebo que aquelas pegadas que me levaram até ali estão ficando distantes...distantes... Estou no céu. Viajo em pensamentos, devaneios, sonhos e vontades. Vejo você.
Como um anjo ao meu lado, companheira de vôo. De mãos dadas ficamos nós dois pelas nuvens das notas musicais que ecoam em nossas mentes. Desviando de negros nimbos de incertezas e medos. Você dança no ar. Beleza, encanto e sutileza se misturam ao entrelaçar das nuvens em contraste com um sol ainda a nascer. Questiono-me por alguns instantes de como seria um pecado da minha parte participar da tua linda e solitária dança ao vento. Peco! Novamente com tua mão na minha, danço canto, te abraço e nasce o nós. Não sabemos ao certo o que acontece.
Nossos sorrisos se namoram enquanto nossas mãos se abraçam. Ao nosso redor, pássaros voam e cantam como nunca ouvimos cantar. Aos poucos vou percebendo que estou cada vez mais longe distante do céu. A ingrata brisa me sopra aos ouvidos a hora de voltar. Olho pra ti a última vez e fico me perguntando quando essa dança será nossa novamente, ou melhor, quando será apenas nossa dança. Chego ao chão. O sol já quente me questiona como foi. Ao abrir os olhos embaçados pelas lágrimas de alegria que ficaram, vejo que ainda estou aqui parado e apenas olhando o mar.
