Liguei o rádio aqui do meu lado em um programa noturno. Daqueles que os recados são lidos e as canções são oferecidas. Tentei ficar um tempo ouvindo. Confesso que pra tentar pensar um pouco. Te lembrar um pouco. Eu tenho uma coisa que sempre me segue: Se a música não fala de uma história que eu me identifique, não me toca. Não tinha nenhuma. Pra falar a verdade não tinha nem amor. Ele foi embora sem se despedir e sem deixar rastro nenhum. Fiquei aqui com os móveis, paredes e uma foto amassada me fazendo companhia. A foto já está começando a ficar com algumas rasuras de uma mistura de amasso e lágrima. É a gente que está na foto, pelo menos é o que acho. Não me reconheço mais assim, como nós, como dois, com sorrisos. Isso é só saudade.
A cama ficou com uma pitada do teu hidratante no cheiro e jeito no teu de ajeitar. Um jeito teu de se ajeitar. De se encaixar nela. É constante demais pra eu pensar em algo mais. Tentei a TV mas luz me ardeu os olhos. Preferi a escuridão silenciosa noturna. Noite de saudade e uma pitada de esperança. Não que você volte, mas que daqui há algumas horas eu tenha luz, mesmo que a da manhã. Fica bem.