4 de mai. de 2016

A última música


Só assim mesmo pra você me olhar nos olhos de verdade. Na cura do tempo e dos acontecimentos. Só assim pra que eu ouça a música que esperei anos pra ouvir. Num palco bem improvável é verdade. Esse banco de praça aqui em nada se assemelha às vezes que esperei um olhar sincero precedido de um beijo num despedir na frente da minha casa. No som do carro tinha música. Já se passou muito tempo. E nessa lacuna que ocupei com sentir muito e viver de uma forma intensa, muita coisa mudou. Poucos sentimentos saíram, é verdade. Uns viraram lembranças, outros repulsa e alguns outros oásis particulares onde eu vou a hora que eu quiser. Ouvir de você que ainda existe algo é de certa forma artístico. Daqueles tipos de obras que a gente imagina primeiro em sua totalidade pra logo depois tocá-la. Quando toquei a obra eu já sabia exatamente como ela seria. Mesmo que depois de tanto tempo.  Não tive outra alternativa senão te encaminhar ao teu caminho, acarinhar o teu carinho e abraçar o teu abraço com sinceridade que o seu falar sincero merecia.  Mas apenas isso. Que sigamos o baile. Mesmo em outras casas, pistas. Agradeço pela música e pela dança de hoje.
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