2 de set. de 2016

Sobre uma chuva

Quando eu tinha alguns poucos anos de início adulto ela foi me mostrando que havia bem mais chuva que a aridez do meu caminho mostrava. Tocava uma música na fala e me deixava viciado num toque de olhar, de mão, de cheiro e até de ausência. A gente era céu e nuvem acima do chão. Certo dia me falou dos antigos amores, dos próximos dias desconhecidos e, eu, aprendiz de amar, encantado pelo que aquilo tudo me provocara. Sentamos a mesa, ela me abraçou no olhar e perguntou qual o sabor que eu queria. Marguerita! Disse para o respeitador garçom que chegou a mesa. Entre mãos ansiosas por se encontrarem e o meu tremer de perna por termos nos encontrado, o meu rosto pacífico escondia a guerra que eu tinha aqui dentro entre milhares de pensamentos. O caos na cabeça fazia sentido e tinha rumo, curioso isso. Depois de um tempo saímos dali como um. Nos despedimos com um beijo e trocamos presentes. Ela ficou com meu beijo e eu com a ânsia de uma nova presença. 


Só tenho a agradecer por mais um destino para eu viajar aqui dentro quando eu quiser.



//Que necessidade é essa que temos em nos falar o tempo inteiro? Nunca vivi isso.

/Nem eu  

/Louco não é?

//É... intrigante também...uma necessidade mesmo... 

/Necessário e tão bom...

/Intrigante também... Confesso...

//E é louco porque dá saudade.

/Ia te falar isso ontem


/Saudade mesmo.
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