Quando eu tinha alguns poucos anos de início adulto ela foi me mostrando que havia bem mais chuva que a aridez do meu caminho mostrava. Tocava uma música na fala e me deixava viciado num toque de olhar, de mão, de cheiro e até de ausência. A gente era céu e nuvem acima do chão. Certo dia me falou dos antigos amores, dos próximos dias desconhecidos e, eu, aprendiz de amar, encantado pelo que aquilo tudo me provocara. Sentamos a mesa, ela me abraçou no olhar e perguntou qual o sabor que eu queria. Marguerita! Disse para o respeitador garçom que chegou a mesa. Entre mãos ansiosas por se encontrarem e o meu tremer de perna por termos nos encontrado, o meu rosto pacífico escondia a guerra que eu tinha aqui dentro entre milhares de pensamentos. O caos na cabeça fazia sentido e tinha rumo, curioso isso. Depois de um tempo saímos dali como um. Nos despedimos com um beijo e trocamos presentes. Ela ficou com meu beijo e eu com a ânsia de uma nova presença.
Só tenho a agradecer por mais um destino para eu viajar aqui dentro quando eu quiser.
//Que necessidade é essa que temos em nos falar o tempo inteiro? Nunca vivi isso.
/Nem eu
/Louco não é?
//É... intrigante também...uma necessidade mesmo...
/Necessário e tão bom...
/Intrigante também... Confesso...
//E é louco porque dá saudade.
/Ia te falar isso ontem
/Saudade mesmo.