Nas primeiras horas da manhã ela acordou. Talvez 6 ou 7 horas, não sei ao certo. Olhou para o lado e percebeu que estava sozinha. Fez um esforço para piscar mais um pouco, lubrificar os olhos e abrí-los de vez. Pegou o celular que estava debaixo do travesseiro , olhou, curtiu 3 selfies e largou. Ficou ali olhando para um teto que surpreendia com tantos contornos, mesmo que ela estivesse com a cabeça longe e, por vezes, vulnerável sem teto algum.
Depois de alguns minutos, ela levantou da cama e foi direto para o banheiro. Na pia, duas escovas e o sabonete que ele usava para tirar a barba. Ela se olhou nos espelho, molhou o rosto e começou a fazer algumas coisas na cozinha. Tirou 6 roupas que estavam já lavadas na máquina, afastou duas caixas de coisas dele da frente da geladeira, deu mais uma olhada no celular, e pegou duas fatias de queijo. Cortou um pão, colocou o queijo dentro e sentou sozinha pra comer com um suco de caixinha que também pegou na geladeira. A mesa quadrada parecia maior. Sentou sozinha e no espelho da parede estava a sua única companhia, ela mesma.
Terminou de comer, extendeu a roupa que tinha tirado da máquina e foi tomar banho. Colocou pra tocar a música deles é se ensaboou sozinha com a cabeça e o pensamento secos e áridos. Nada mudou.
Depois de tudo, trocou de roupa, caprichou na maquiagem, deixou uma mensagem de bom dia para a amiga no celular e foi até a porta. Ao abrir, olhou para trás e viu que a chave dele estava em cima do rack. Abaixou a cabeça , enxugou a lágrima e fechou a porta. Desceu no elevador tentando entender ainda como ia ser mais um dia.
Chegou, térreo, um passo a frente e lá foi ela.
Sorte.