O padrão normal da coisa não faz muito parte da gente. Se eu te olho de um jeito diferente você vai achar normal. Afinal, tu não suporta a normalidade da coisa. A gente se embaraça na entrada do banheiro, na cama, na vida. Ninguém vai nos entender. E pra te falar a verdade acho bem normal que isso aconteça. A gente brilha um para o outro. A gente se acha no tom de voz. Nosso corpo não tem nada de um só. É meu, mesmo que seu. É seu, mesmo que meu. Duas carnes, nada de uma só. Um para o outro. Voz de fim de noite, abraço de despedida no carro, conversa amena rotineira e uma vontade danada de manhã de domingo chuvoso. Celular tocando, uma música. Clima frio, só no ar. Escuro pra gente encandear com a gente. A gente é um tudo ou nada diário, sem exageros. Encaixe de boca, vida e corpo. Um para o outro. Sem saber se isso é mesmo normal. Deixa que digam. Deixa é que a gente.