Ela andava rápido, muito rápido. De fones de ouvido e um celular na mão. Ele vinha distante dela, mas já olhava de longe o que aparentava ser o maior presente do início da quarta-feira. Enquanto ele abria um sorriso há 200 metros de distância e esfregava suas mãos numa calça jeans surrada, ela continuava olhando o celular. Também sorria, mas para aquela tela ali. Resolvi parar e olhar como seria aquele encontro. Parei na esquina para esperar o desfecho.
Ele abriu os braços com um sorriso no rosto e ela tirou os fones, deu um meio abraço de uma mão só e um beijo seco. Seguido de um acariciar simples no rosto daquela menina de cabelos pretos e um rosto indiferente. Eles continuaram caminhando e era perceptível a vontade dele de falar sobre qualquer coisa. Sobre o filme que viu, sobre o ocorrido hoje quando acordou ou mesmo da saudade que tinha. Ela não esboçou reação alguma. Ele manteve o sorriso e caminharam.
Eu continuei meu caminho pensando sobre aquele cara que manteve o sorriso sem resposta, apenas pela presença do seu amor.
Segui.