A gente inventou um amor de um jeito torto, brilhante demais. Uma espécie de plano das ideias que vale no falar, na ideia e para os outros. Amar sangra muito mais do que qualquer que seja teu sofrimento. Aliás, sangra igual. Desculpa a minha falta de experiência em sofrer. Amar é de um desprezo sem tamanho ao lúdico. A lucidez necessária para amar deveria ser cortejada como uma Rainha que passa. Nem o ódio é contrário. Não é preciso estar lúcido para odiar. Basta não lutar contra nada. Odiar é de uma falta de coragem sem tamanho. Amor requer um esforço das mais diversas fontes. Não tem cor nem brilho, só sensação. E fim. Isso mesmo. Amor tem fim. Se ninguém te disse isso, eu faço questão. Amor acaba. Por não aguentar a dor ou pela covardia de não a querer sentir. Uma pessoa sem amor é inata, imóvel. Por dor comum, o amor une. Por necessidade, o amor perdura.
Não se pode viver sem amor. E não se pode viver sem doer. Amar dói. É da vida. Ela também.