Pressinto a chegada dele. É como um vulcão perto. Sinto o fogo querendo queimar. Mas tudo está frio. É difícil acender fósforos molhados.Procurei os isqueiros, mas nenhum incêndio foi possível hoje. Só chuva. É o líquido das tempestades interrompidas escorrendo dentro. Talvez isso seja amor... amor? .. ah... queria sabê-lo. Mas ele insiste em diluir-se com a chuva, com toda a água que molha esses fósforos. Será possível acender-se na chuva? É cedo para saber...O amor talvez seja como as tempestades, quando as coisas todas mudam de lugar. Migram para países distantes e dolorosos.
Olho a janela e vejo que os bares estão cheios, as crianças ainda brincam e o sol devagar se despede. Eu não. Permaneço. E ele não veio. Como a cidade do delírio, que insiste em ficar distante. Tão distante quanto minha calma. Ouço passos, quase distraídos...Como sentir seus passos se ele anda por outras ruas? Loucura? Tudo é. Assim como essa Terra que gira o tempo inteiro e a gente dentro. Nada pode sair do controle agora. Nada. Nada pode sair de mim, nem essa angustia. Até dela eu preciso para curar a ausência que ele faz aqui.