
Talvez um dia eu me veja feliz mesmo frente aos anseios, medos e incertezas. Talvez, ainda em vida, eu me torne aquilo que você sonhou que eu fosse. Por mais puro que eu seja , ainda não sou capaz de ser a pureza que você quer. Vivendo a busca incessante por respostas, percebo quem sou e continuo meu caminho pela estrada caminhando ao sol eterno do meio-dia. A miragem da tua presença torna-se constante à minha frente, como os planos que um dia foram sonhados. Sendo árido como o chão que piso, vive o meu eu. Será que vive? Aos poucos vou perdendo as proteções que eu tinha antes de começar a caminhada. Não mais sorrisos, não mais abraços, não mais calma alguma. As lágrimas que tentavam hidratar-me não faz-se mais. Não existe mais. A dor aquecida fez evaporar tudo que podia me irrigar.
Sento-me a beira do caminho esperando a carona das respostas .Na vontade de ser levado ao meu destino, me faço de bobo, palhaço, faço graças e cartazes. Não me canso. Isso é fato. As dores me tomam mas o cansaço ainda não vem. Já não sou mais a fonte de calma antes tão amada. Já não sou mais o anjo celeste. Os nomes e denominações benéficos, se perderam pelo caminho na miséria da minha caminhada anterior. Meus olhos ardem precisando ser lavados. Minha boca anseia pelo beijo que se perdeu e meus braços não se contentam ao vento. Continuo a caminhada. Quero chegar. Mesmo que o sol queime e eu não tenha mais pele alguma pra te oferecer. Mesmo que a minha água esgote e eu não tenha mais fonte alguma pra você. Mas dou-me. É apenas o que tenho. Eu pra você.