19 de jun. de 2012

Bastidores


Se por acaso minha voz começar a chegar como música nos teus ouvidos, deixa vir. Acabei de chegar no local da minha ilusória casa de show e já sei que a casa está lotada. Meus amores, clamores, gritos e silêncios estão na primeira fila. Já vejo daqui. Minhas dores estão em um camarote principal e irão me ouvir em alto e bom som. Preparei um retorno só para elas. Mania minha de tratar sempre bem as mulheres. Aqui no camarim deixaram muitas luzes no espelho, não precisava tanto. Até porque a escuridão me inspira muito mais. Tem muita regalia aqui. Quitutes, delícias, croissants e tudo mais. E quero apenas uma água para cantar. Só isso. Meu cabelo, meus futuros poucos cabelos, estão perfeitos a meu ver e ninguém vai mudar isso. Esta na hora de ir. Vamos à oração. Não no camarim, mas no palco, mesmo que sozinho eu estiver. Vou buscar o divino no meu canto e para isso não quero mais ninguém em dueto. Apenas eu, meu piano e ele. Quanto ao público, peço silêncio. Minha desafinação merece ser apreciada pela coragem de ir ao microfone. Com vocês, puramente eu.

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