Tem uma porrada de dor
gritando pra sair, seja pela boca ou pelo meu nariz que não me deixa
respirar direito. Sou forçado a ficar correndo loucamente dentro de uma caverna
escura, de clima frio e solidão que não me deixa só, apenas quando não quero.
Correndo atrás de vultos ilusórios que passam na parede em sintonia com as
doces vozes que ouço pra acalmar. Não me fazem bem algum. Sem querer andar e
sendo forçado a correr loucamente para cima em uma ladeira íngreme. Escuridão
cheia de brilho aqui dentro de mim. Mesmo que no fechar dos olhos essas luzes
me venham, uma porção de remota possibilidade me faz acreditar em uma saída
daqui. Remota, mas existente. Não faz medo algum estar aqui. Meu receio maior é
a cegueira que a permanência pode trazer e não o lugar onde estou. Luzes demais me deixam sem ver um palmo na
minha frente, mas quando escurece, vejo por calor humano, ou seja lá o que for que esteja movimentando-se na minha frente enquanto escrevo isso aqui.