Eu conheci um cara que me assustou quando me vi também. Ele andava por aí jogando para cima tudo que ele era, pensava, queria e criticava. Ele tinha um jeito particular de traduzir-se para outros e até para si mesmo. Ele queria que, ao seu redor, todos estivessem na mesma alma em uma só vibração. Queria que o mundo ao seu redor fosse um pouco mais solto. Que as pessoas deixassem de lado essa pressa prisional e vivesse apenas. Queria que o seu amor fosse apenas amor e só. Seja ele quem for. Tinha na música o seu refúgio e o seu ápice na beleza das coisas. Queria ser feliz. Tinha uma ânsia por sorrisos sem precedentes. Queria divertir-se mais. Era menino, foi menino, continuava menino e não via mal nenhum nisso. Só queria estar com crianças ao redor, seja ela que idade tivesse. Escreveu a vida e não leu. Talvez, para não assustar-se quando visse a burocracia que é viver. Preferiu escrever e cantar para enganar um pouco de um "eu" sedento demais por respostas.
Esse cara era eu antes e fora de mim.