Foi isso mesmo. Preferi andar de cara pra chuva. Sem guarda,
sem teto, sem nada, só eu e ela. Na selva de pedra que vivo, ela é a natureza
que me toca e a que mais me encanta. A chuva nada mais é que um
momento de reflexão do céu, o descanso do sol e a viagem predileta da minha
mente. Tudo é mais bonito. O contraste da água com as pessoas unida com a baixa
velocidade de tudo ao redor dão um tom bem mais agradável ao todo. A chuva...
Eu e a chuva temos um caso de amor. Na verdade, a noite entrou no meio disso
tudo. Elas são as minhas paixões, se é que dá pra ter mais de uma. Ah, lembrei
do mar. Que pessoa cheia de amor sou eu que tenho quatro amores, afinal, tem alguém igual a isso tudo. Em beleza, grandeza e capacidade de fazer parar e voltar pra
um eu que só eles sabem trazer. Que caia a chuva, que venham o seus irmãos, o ar
frio, a paisagem bucólica e a porção de natureza visível que ela traz. E que me
toque sempre. Caso não seja possível, que minha saudade seja a chuva que cai
no meu rosto, seja em lágrimas, seja em pensamento ou apenas a
lembrança do amor que tenho por ela. Que venha a chuva e me abrace.