Agora deixa eu falar e fica quieta. Isso mesmo, quieta! Me escuta. Deixa eu dizer das prisões que tive que aceitar pela promessa de um beijo diário que nunca vinha. Me deixa dizer dos pensamentos voadores que derrubei por você e seus sonhos, seus planos, seu eu, só seu. Por favor, sente-se! Eu não posso esquecer de falar das dores que senti nas idas, na insistência da saudade, na rapidez cortante de um beijo e da indiferença incompreensível. A caixa que tenho em mãos receba como minhas algemas. Nela estão cartas-chave, cheiros de cela e sonhos cheios de poeira. Receba tudo isso que agora minha liberdade vai ser tudo o que você não foi. E não adianta chorar. Suas lágrimas não lavam, não hidratam e não vencem nada mais em mim. E por falar em lágrimas, cuidado com o excesso. Na caixa que te entrego tem rios delas. Fica bem e torne-se um bem. Pra si ou pra alguém.
