São 22h e eu ainda estou aqui na
espera de uma ligação, batida na porta ou equívoco que possa acontecer para que
você volte pra mim. Você está longe, do outro da cidade e eu tenho certeza da
sua ausência. Assim como também sei o que ela me faz. Me enche de vontade,
desejo e um montão de sentimentos misturados a um medo de te ver e não me
controlar num abraço extenso. Já faz um
tempinho que estou deitada aqui nesse sofá vermelho ouvindo um jazz qualquer
que toca no rádio olhando pro teto. Apenas te esperando. Coloquei o perfume do
nosso primeiro encontro, o vestido da cor que você ama e o cabelo do mesmo
jeitinho que você acha encantador. Já terminei dois copos de vinho. Ainda tem
mais na adega, mas acho que não vou mais lá. Cada passo é um grito para a sua
volta e desperta a ansiedade com sua ausência.
Como eu queria você chegasse aqui
no seu carro preto e batesse na porta falando baixinho que era você. Que me
desse aquele bombom simples com um sorriso infantil e perguntasse se senti sua
falta. Num abraço de paz que chegou a ser regado num tremor de pernas todo meu.
Sua camisa preta colada de uma transpiração de igual nervosismo. Te chamaria
pra sentar e provar do vinho que estou tomando. Você iria falar da música que
estava tocando, ia traduzir uma parte e me dizer seguido de um “não é lindo?”.
Você pegaria minha mão. Elas , como as suas, geladas e tremendo, entrelaçam e
alternam entre um carinho de afago e outro. A sua mão toca no meu rosto e vai
do meu olho à minha boca delicadamente. Num passe de mágica surge na minha nuca
e me apresenta o teu olhar me pedindo um passo a mais. Você me beija. E assim a nossa noite começou.
Você não vem. Eu sei. Que sua
ausência seja o que me resta de você. Continuo te esperando.
Tem alguém na porta. Vou ver quem
é...