Carrego em mim uma vida de coisas. Ao meu redor, tudo é poesia e tem uma porção de tristeza em tudo também. Quando criança, eu sonhava com um mundo que ficou lá na encruzilhada do passado. Passei direto da entrada correta ao que me parece. Eu tinha uns 13 anos e sonhei com os amigos da escola juntos e andando por aí. Queria ser mais um ali. Suar a farda da escola de tanto jogar bola, sujar o tênis de correr feito um louco na brincadeira que acontecera. O tempo passou. E os sonhos foram continuando aqui dentro. A vida me colocou na posição de responsabilizar-se por si e pelo montante de vida que viria pela frente. Crescimento, dinheiro e crescimento e mais dinheiro. Tudo isso me tirou a diversão da festa, me tirou o vídeo-game da tarde na casa do amigo, me tirou a alegria da formatura e a tranquilidade, sim a tranquilidade. Gritei. Gritei em forma de dor. Ninguém ouvia.
O tempo passou e ainda tem muita coisa aqui. Os planos de conhecer o mundo, de viver para sorrir, de me rodear da alegria, de estar junto de quem efusivamente me toma por completo de uma vida de garra e sorrisos. De ser questionado, de ser perguntado, de perguntas que façam a diferença, de ideias que transformem e de um carinho de palavras sem os moldes tão chatos. Eu ensino a vida e o caminho, mas cansado. Mostro como é tudo, o que se deve fazer e quais os melhores pensamentos. Mas carrego dentro um rio de choro.
Sonho ainda mais. Sonho com palavras cheias. Sonho refletir a vida junto, sonho em aventurar-se ao vento.
Que tudo se transforme, que seja como esse mundo aqui dentro. Que a poesia domine.
Amém.