Há dias tento me colocar na frente da tela, do papel, do guardanapo, do bloquinho cinza do mesa da minha mesa do trabalho ou da minha casa e simplesmente não consigo. É curioso como essa coisa me tomou e eu simplesmente decidi pra mim alguns dias de mais futebol, música, cerveja, amigos e debates que vão da filosofia grega até a falta de noção da menina da oitava série em jogar um caderno no ventilador. Vê se pode isso. Tô preferindo convites para conversar besteiras que se dissolvam levemente que qualquer outra complexidade. Sei que isso vai durar só um tempo, bem curto, aliás. Vou rir do filme idiota, vou xingar o juiz do jogo, vou julgar se o jogo vale a pena, vou filmar sorrisos idiotas e, sei lá, vou ver gente que não vejo há tempos. Se eu precisar resgatar algo passado, claro.
Vou ouvir músicas das rádios FMs mais populares, comentar a novela e até ficar puto com qualquer personagem que me decepcionar. Vou perguntar ao porteiro como estão as coisas, se ele curte trabalhar ali, qual time que ele torce e o que ele fazia antes de trabalhar na portaria do meu prédio. Vou trazer pra perto quem viaja comigo, mesmo que sem sair do lugar. Vou no mercado escolher algo pra comer durante o filme ou nem comprar nada, só andar mesmo. Aliás, vou fazer isso no shopping, no Parque, na rua, na biblioteca e no bairro que morei quando era criança.
Quando eu fizer isso tudo e procurar se algo mudou, eu escreverei mais alguma coisa.
Depois eu volto.