7 de jul. de 2016

Me convenceu a fantasia



O vôo talvez não esteja sendo possível e a poesia grita, mesmo presa. Ela , passarinho por natureza, caminha a passos curtos de uma estrada quente que escolheu ao virar a direita das escolhas que não saem do chão em momento algum. O barulho das pedras em contato com o seu andar arrastado contrastam com som dos pássaros que a rodeiam. A caminhada é longa e no horizonte não existe nada por enquanto. Uma sandália simples, um vestido de mar e uma ânsia pelo próximo sorriso. 

Ela me contou que a fantasia a fez escolher uma nova estrada e não deu conta das barreiras do caminho depois. Ficou com ela apenas a saudade, a fantasia não. E era amor. A placa era de sentimento convencendo a seguir pelo caminho das pedras. A dança antes constante, leve e rica de cores agoniza dentro dela. A vontade é lágrima e a saudade é mais uma que cai junto no rosto. 

Eu, que sei das inúmeras luzes do seu sorriso, pedi pra caminhar junto, dar a mão, conversar sobre a próxima pedra que ultrapassaríamos e dizer também do amor que tive. Falar dessa fantasia persuasiva que me colocou agora junto dela. Entre um respiro e outro - ou mesmo um sorriso de canto - vamos percebendo que dá pra seguir sonhando. Enxergar a imensidão de peito aberto pra dançar mais uma vez e não prender-se ao que nos eleva sem suporte para uma eventual queda. 

Se uma lágrima cair mais uma vez, me olha e sorri. O que eu te mostrar depois disso pode te ajudar, ou fazer chorar mais um pouco. 


Vem, vamos continuar. 
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