8 de jul. de 2016

O que escrevi sorrindo, saudoso e satisfeito


Mal sabe ele o que o toque das nossas bocas nos mostrou. Mal sabe ele que a calada da noite era barulho gritante dentro ou fora de qualquer lugar que estivéssemos juntos. Ele não faz ideia dos caminhos que percorriam mãos, pensamentos, braços, desejos, línguas e a gente. Por onde andávamos existia luz quando a gente tivesse vontade, mas ficava a penumbra pela mesma condição quente de algo existir ali. Da voz modificada no telefone a conversa sem novidade alguma num fim de quarta-feira cansativa. Ele não tem ideia disso. Eu duvido muito que o tudo ou nada ainda exista. E tenho certeza que isso virou uma escolha seca matando a dúvida antes tão frequente e condutora. Sem arder, sem doer, sem poucas vozes, sem o gosto salgado de uma transpiração salivante compartilhada de corpo inteiro. Mal sabe ele. Mal sabe ele que estou te escrevendo isso aqui, mal sabe ele que é pra você, que é pra ele, que é sobre a gente. Que tenha permanecido tudo aí contigo, que não haja esquecimento. O que pra você é lembrança pra mim é a realização de saber ter vivido. Que sejam nossas vidas. Ele nunca vai saber.
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