15 de jul. de 2016

Revisitação

Oi,

Estou te enviando essa carta pra falar algumas coisas. Claro, né? Ou seria pra imaginar que algo que vai de mim pode novamente tocar em você? Ué, pode ser também. Bom, continuando...

Hoje eu descobri que finalmente você e ele terminaram. Antes que eu inicie com o discurso inerente a qualquer contato pós-trauma amoroso, quero deixar aqui os meus reais sentimentos, os verdadeiros, depois entro nessa aí.

Eu tenho certeza absoluta que a motivação de tudo ter acabado foi você. Essa sua mania - ou jeito de ser - de sempre querer que o mundo grite o seu nome intercalando entre um abraço que ele possa te dar nunca te fez bem. Eu sabia disso há muito. Lembra daquela vez que estávamos saindo do Teatro e te falei que eu estava apaixonado por você? Eu me recordo perfeitamente da sua resposta em face que me dizia: eu sei que sim. Pois é.

Ele não deve ter conseguido suportar esse seu hiper-eu tão poderoso. Outra coisa que eu queira deixar bem claro aqui é que eu tenho saudade de você. E por mais que essa frase possa soar contraditória frente ao tom que iniciei esse texto, é a mais pura verdade. Ontem, caminhando na rua depois de um dia cheio de trabalho, me deparei com uma mulher muito parecida contigo. Meu coração agiu estranho, tomei um choque do centro do meu corpo percorrendo todo ele por alguns segundos e me convenci que não era você. Não se assuste, isso sempre acontece. Eu acredito sim que tenha ficado algo aqui. Mas basta, não vou alimentar esse seu ego aí, melhor surrar minhas verdades tão absolutas frequentemente. Não me condene por isso.

Estive pensando sobre o que aconteceu entre a gente. Sei lá se era amor, paixão ou qualquer dessas obviedades tão faladas. Eu, sinceramente acho isso um saco.  Essa de ficar qualificando coisas, pessoas e sentimentos me dá uma canseira danada. Daí eu nunca consegui formular bem o que aconteceu. Foi por muito tempo? Foi. Teve intensidade, descobertas e um pouco de infantilidade das duas partes. Aliás, da minha pode acrescentar aí uma inocência que dá uma saudade da porra. Acho que foi isso que aconteceu. Viu como não dá pra dizer com uma palavra só?

Bom, a verdade é que te vi hoje, nos falamos e eu não consigo mais parar de pensar no movimento dos seus lábios, no seu ajeitar de cabelo e do tom da sua voz pedindo a conta ao garçom. Nem do seu abraço de poucos segundos acompanhado do mesmo perfume que usava há 10 anos.

Eu confesso que não sei bem o motivo de estar te escrevendo isso aqui. Mas eu tinha que deixar claro que aquele encontro não foi só uma revisitação de passado em poucas conversas sobre histórias antigas, mas uma nova forma de enxergar o que realmente me toca. E te agradeço por isso.

Ah, não posso esquecer.

Força, você encontrará um novo amor, se for, claro, da sua vontade. Se não aconteceu, é pelo simples motivo que não era pra ser. Sinto muito mesmo, bola pra frente. Levante a cabeça e se ame, muito. Concentre-se na sua carreira, nos seus projetos e por aí vai. Força. E precisando, estou aqui sempre, você sabe.

FIM


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