14 de set. de 2012

Natal desabafa




Olá, tudo bem? Meu nome é Natal!

Tenho alguns quatro centos e poucos anos e sei que posso não ser nem ouvida pela minha pouca idade. Queria que minhas humildes palavras fossem tratadas não com o silêncio indiferente, mas apenas com um ouvido atento. Faz muito tempo que venho sofrendo bastante. A beleza das minhas dunas, praias e outros oásis, vem perdendo há muito tempo para o ódio e as ilusões de
muitos. Uma hora me dizem que vão mudar minha vida e o meu futuro. Outra hora dizem o quanto se orgulham de estar comigo, desfrutando de tudo que posso oferecer. Nas mãos de tantos e na cabeça de tão poucos. É assim que eu me sinto. De quatro em quatro anos meus donos revezam no meu comando. Há muitos anos estou sempre nas mãos das mesmas pessoas, mas com figuras diferentes. Certo dia me peguei pensando o quanto eu posso ser muito mais que um solo lunar cheio de buracos, uma casa drinks de prostituição para turistas ou notícia nacional pela reprovação do meu povo. Meus filhos foram às ruas e pediram mudança, mas nada mudou. Estou doente. E mesmo assim, não vejo como melhorar. Até porque, meus remédios não estão mais aqui. Estão num lixo qualquer aí da vida. Uma das minhas filhas me teve em suas mãos e não soube como tratar. O seu antecessor mostrou a todos quem era. Não quando liderou, mas quando a imprensa denunciou os seus maus tratos a mim. Tentando ter esperança, ouço propostas que eu mereço respeito e que vão me transformar. Não vejo como me desfigurar ainda mais que isso.

Eu quero mostrar meu sol, meu luar e minha noite. Eu quero gritar gol no jogo do América. Eu quero estar no meio da frasqueira gritando pelo ABC. Eu quero ser feliz. As palavras de cima do palanque não me convencem em nada. Muito menos os gritos. Quero que meus jovens sejam respeitados. Quero que as crianças possam andar nos parques tendo como único medo cair da bicicleta com rodinhas. Quero que meus estudantes se orgulhem de estar aqui e façam valer a frase: Eu moro onde você passa as suas férias. Quero que meus filhos e filhas, do Santarém até Neópolis sejam prioridade. Quero a alegria do sorriso da criança da redinha jogando bola. Quero de volta meus sonhos de ser grande, meu orgulho de ser eu e a esperança de ser um pouco mais ouvida. Desculpa o incômodo, mas eu tinha que desabafar. Deixo aqui o meu clamor. Sem ter mais força alguma pra dizer como estou, mesmo sendo tão jovem.
Ajuda-me.
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