11 de set. de 2015

Escolha aceita

    São 18h e eu estou saindo do trabalho. Ela me liga exatamente quando me levanto da cadeira pra desligar o computador e arrumar tudo pra tomar o caminho de casa. Ela me pergunta como estou e o que eu vou fazer logo mais. Digo que tenho um compromisso e que não vai ser possível a gente se ver. Ela então mostra uma decepção na voz que começa a me convencer aos poucos que eu não preciso seguir tudo que eu estava planejando pra logo mais. No meio da conversa surge um vinho, uma boa música e um papo agradável, promessas dela. Penso bem (?) e resolvo pegar um outro caminho que não é o da minha casa, mas a dela. Chego logo em frente a uma casa de paredes brancas e um portão que me lembrou o da minha casa quando criança. Ela veio abrir, me deu um abraço e no perfume que eu senti percebi que tinha mesmo feito a escolha certa. Perguntou se eu queria água e o que eu queria ouvir. "Marvin Gaye, por favor" , disse eu. Ela questiona o motivo da escolha e eu não soube argumentar que era a trilha sonora que eu sempre sonhei quando estivesse com uma mulher como ela. Disse apenas que gostava e pronto. Escolha aceita, play.

    Não sei nada sobre vinhos. Fiquei me fazendo de entendido analisando as garrafas em cima da mesa. Ela percebeu rápido e disse que eu deixasse de onda que ia beber o que ela quisesse hoje. Escolha aceita. Num sofá preto com almofadas coloridas sentamos e, de copos nas mãos, falamos do trânsito, dos problemas, dos perigos e um montão de coisa que eu não me lembro bem ao certo. Estava muito atento ao movimento que a boca dela fazia intercalando frase e sorriso. Toca a campanhia e ela pede desculpa dizendo que já pediu a comida, não sabia fazer nada. A piada pronta foi boa e rendeu algumas frases durante toda a noite.  Mais uns 15 minutos no sofá e resolvemos comer. Entre um comentário ou outro sobre a falta de habilidade de ambos na cozinha, comento de um quadro na parede da cozinha. Ela conta a história dele.  A playlist continua...e o vinho..o sofá..tudo permanece.

    No meio da conversa de como as pessoas estão se perdendo em identidade, peço pra ela calar. Ela me questiona o motivo e pergunto se eu desse um beijo naquele momento qual seria a sua reação. Quando ela tenta me responder, não me contenho e assim o faço. A reação pede mais. Pediu bem mais. Tudo ali começou e também terminou. 


    Entre a troca de farpas infantil sobre a culpa pela quebra da taça mais bonita, a gente se despede. Entro no carro e me convenci rápido sobre o que fiz. Escolha aceita. Escolha certa.
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