São 18h e eu estou saindo do
trabalho. Ela me liga exatamente quando me levanto da cadeira pra desligar o
computador e arrumar tudo pra tomar o caminho de casa. Ela me pergunta como
estou e o que eu vou fazer logo mais. Digo que tenho um compromisso e que não
vai ser possível a gente se ver. Ela então mostra uma decepção na voz que
começa a me convencer aos poucos que eu não preciso seguir tudo que eu estava
planejando pra logo mais. No meio da conversa surge um vinho, uma boa música e
um papo agradável, promessas dela. Penso bem (?) e resolvo pegar um outro
caminho que não é o da minha casa, mas a dela. Chego logo em frente a uma casa de
paredes brancas e um portão que me lembrou o da minha casa quando criança. Ela
veio abrir, me deu um abraço e no perfume que eu senti percebi que tinha mesmo
feito a escolha certa. Perguntou se eu queria água e o que eu queria ouvir.
"Marvin Gaye, por favor" , disse eu. Ela questiona o motivo da
escolha e eu não soube argumentar que era a trilha sonora que eu sempre sonhei
quando estivesse com uma mulher como ela. Disse apenas que gostava e pronto.
Escolha aceita, play.
Não sei nada sobre vinhos. Fiquei me fazendo de entendido analisando as garrafas em cima da mesa. Ela
percebeu rápido e disse que eu deixasse de onda que ia beber o que ela quisesse
hoje. Escolha aceita. Num sofá preto com almofadas coloridas sentamos e, de
copos nas mãos, falamos do trânsito, dos problemas, dos perigos e um montão de
coisa que eu não me lembro bem ao certo. Estava muito atento ao movimento que a
boca dela fazia intercalando frase e sorriso. Toca a campanhia e ela pede
desculpa dizendo que já pediu a comida, não sabia fazer nada. A piada pronta
foi boa e rendeu algumas frases durante toda a noite. Mais uns 15
minutos no sofá e resolvemos comer. Entre um comentário ou outro sobre a falta
de habilidade de ambos na cozinha, comento de um quadro na parede da cozinha.
Ela conta a história dele. A playlist
continua...e o vinho..o sofá..tudo permanece.
No meio da conversa de como as
pessoas estão se perdendo em identidade, peço pra ela calar. Ela me questiona o
motivo e pergunto se eu desse um beijo naquele momento qual seria a sua
reação. Quando ela tenta me responder, não me contenho e assim o faço. A reação
pede mais. Pediu bem mais. Tudo ali começou e também terminou.
Entre a troca de farpas infantil
sobre a culpa pela quebra da taça mais bonita, a gente se despede. Entro no
carro e me convenci rápido sobre o que fiz. Escolha aceita. Escolha certa.