Eu nunca sonhei em ser jornalista, nunca sonhei em ser um montão de coisa que eu me permiti ser até hoje. Eu queria ser ator de rua. É, eu sei que isso é louco aos olhos. Mas eu queria ser artista de rua. Queria algo de malabares, uma cena na calçada, cantar uma música para senhora que ia passar segurando um saquinho de pão ou recitar um poema para o cara de terno e gravata que via todos os dias passando no Centro da cidade. Eu queria ser artista. E talvez beber no final da noite. É, beber mesmo. Eu queria o delírio de se permitir ser o que quiser, falar ao vento e ser ouvido algumas vezes. Coisa boa é ressoar, nem que seja aqui pra dentro. Ah, como eu queria ser artista…Sorrir meio lacrimoso e estender os braços num abraço ao vento. Poder se embebedar de poesia, de rimas e tudo o que me rodeasse de bom e mal também, por que não?
Queria ser o parceiro da bailarina na rua, o dançarino da trupe, o mágico da companhia ou mesmo o locutor do circo. Eu queria mesmo é ser artista. Aí o mundo ia fazer mais sentido, ia ser mais fácil de entender, de assimilar, de viver… Por vezes eu penso que todo mundo queria ser algo assim. Chutar o mundo, jogar a vida pra cima, se jogar lá do alto e gritar. Não permitir a poesia deveria proibido. Não permiti.
Idiota.